15 de Setembro – Dia Mundial do Linfoma

•Setembro 13, 2008 • 1 Comentário

Dia Mundial do Linfoma

O Dia Mundial do Linfoma, comemora-se a 15 de Setembro e nasceu em 2004 através da Coligação contra o Linfoma, com o objectivo de sensibilizar para a doença e para a necessidade de reconhecer os sintomas e assegurar uma intervenção precoce.

LINFOMA

Os Linfomas são cancros que se iniciam a partir da transformação de um linfócito no sistema linfático. Os linfomas são resultados de uma mutação no DNA de uma célula precursora de um linfócito. Essa mutação no DNA ocorre após o nascimento e representa, portanto, uma doença adquirida e não hereditária. A alteração ou mutação do DNA do linfócito gera uma transformação maligna que resulta no crescimento e multiplicação descontrolados e excessivos dos linfócitos. A acumulação e profusão dessas células resulta em massas tumorais inicialmente nos linfonodos (gânglios linfáticos), mas com a evolução da doença pode acometer outras regiões do corpo.

Decorrido neste momento 1 ano e 5 meses desde o dia em que foi diagnosticado ao meu Herói um Linfoma Linfoblástico T, não poderia deixar de assinalar esta data, de forma positiva e construtiva. Ainda com ciclos de quimioterapia mais ou menos intensos, internamentos periódicos que envolvem altas doses, um percurso de tratamento que tem pela frente quase mais um ano, com todas as adversidades já sofridas, e com o equilíbrio incerto que esta situação nos vai ensinando, ainda assim, é com confiança que, quer eu, quer o Herói olhamos para o futuro. Convictos do papel que desempenhamos ante a doença e o tratamento. Cientes dos progressos e dos sucessos até agora conquistados, cautelosos quanto aos possíveis insucessos, mas sempre, sempre, sempre inabaláveis e determinados na nossa luta.

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Labels: ADL; LINFOMA

Artesanato

•Agosto 20, 2008 • 1 Comentário

Imaginação… Sonhos… Criatividade!…

Mãos.

Artesanato.


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Testemunho do Herói… (Leucemia e Linfoma)

•Julho 29, 2008 • 6 Comentários

(Fotos:Colóquios e Solilóquios do Ser)


Testemunho

Luís Fernando Barroso Sentieiro, 17 anos, Linfoma Linfoblástico T, diagnosticado em Abril de 2007

A batalha entre um doente Hemato-Oncológico e a sua doença é algo demorado, que requer persistência, perseverança, força e um incrível espírito de luta. Todos os factores psicológicos influenciam e ter uma perspectiva negativa acerca da doença, e de nós próprios em nada ajudará no percurso do tratamento da mesma. Por outro lado, se pensarmos positivo e enfrentarmos todas as adversidades e obstáculos impostos, poderemos viver melhor o nosso dia-a-dia. Escrevo este testemunho como prova detalhada de todos os obstáculos pelos quais passei e, de certa forma, por aqueles que ainda poderão advir do tratamento, para que todos os doentes e familiares possam ter acesso à experiência e ter em atenção que, apesar da incerteza, existe sempre esperança e que devemos lutar e acima de tudo, acreditar.

A Descoberta da inexorável verdade

Após um percurso de estudo, no qual foram realizados vários exames, foi-me diagnosticado um Linfoma Linfoblástico T. O momento do diagnóstico foi a confirmação de algo que já temia desde o início do estudo. Não senti medo, horror, nem mesmo desespero e sim, coragem para enfrentar e aniquilar a doença que, sem mais nem menos, aparecia na minha vida. Foi neste momento crucial que me apercebi do quão insignificante e de que forma uma vida pode ser alterada de um extremo para o outro, sem que sequer se tenha tempo de pestanejar. As pessoas mais importantes nesta nova realidade da minha vida foram, efectivamente, a minha mãe, assim como a minha família, os médicos, os enfermeiros e os meus amigos, que de todas as formas foram os meus grandes “soldados” e “generais” nesta grande batalha.

1º Noite de internamento na UDN – Pós diagnóstico

A entrada na UDN (Unidade de Doentes Neutropénicos do HSJ) foi para mim a entrada na arena da batalha. Ali, eu sabia que iria enfrentar cara a cara o meu maior inimigo, o Linfoma. A coragem, a bravura e o positivismo foram fundamentalmente importantes para esta fase de passagem para o desconhecido, no entanto, não pude deixar de sofrer, não por mim ou pela doença, pois sabia que era algo no qual eu seria o mais afectado directamente, mas sim, pela forma como as pessoas mais chegadas reagiram. Não posso esquecer a primeira noite, onde chorei com a minha mãe, pelo seu sofrimento e pela sua angústia e porque sabia que a realidade era dura demais. A partir dessa noite, eu tinha a certeza que partia para um mar desconhecido, cheio de ondas, altos e baixios, tempestades e tempos de bons ventos e que apenas poderia vencer, se aguentasse bem o leme do barco. Foi a tarefa de manter o leme do barco no rumo certo que jurei essa mesma noite cumprir, nem que a minha vida disso dependesse, e que de facto dependia.

Biopsia Cirúrgica e seu significado

Após poucos dias de internamento na UDN, fui chamado a realizar a biopsia cirúrgica. Antes da operação, estava confiante de que tudo correria bem, mas as coisas não ocorreram assim. Durante a biopsia estive perto de ter uma paragem cardíaca onde poderia ter morrido. Foi nesta altura e após a biopsia que compreendi que a vida era demasiado efémera e que rapidamente se poderia perder. A sensação durante a complicação foi de medo e pânico, no entanto, sobrevivi ao primeiro grande teste que a doença me iria colocar. Compreendi na totalidade o sentido e significado da vida e da morte e a forma como devemos aproveitar todos os momentos, pois nunca sabemos o que o futuro nos reserva. “Da mesma forma como o futuro me trouxe uma doença grave, o futuro a resolverá através das minhas escolhas e da força, bem como, através do tratamento” – Este foi um dos meus pensamentos após a operação.

O 1º Internamento na UDN

Apesar de todas as adversidades do tratamento, sinto que a parte que realmente importava, ou seja a remissão da doença estava de facto a correr bem. Com o início do pré-tratamento, grande parte das massas tumorais foram reduzidas, eliminando os sinais da doença, mas não eliminando a sua presença. As notícias eram boas, mas o Dr. Príncipe, assim como o Dr. Jorge, meu médico assistente, mantiveram as suas reservas em relação a todo o processo que estava e ainda está longe de terminar. O tratamento causa muitas reacções adversas, que são obstáculos que devemos ultrapassar. No final do primeiro internamento, uma dor inespecífica apareceu nas minhas pernas, impossibilitando-me de andar durante cerca de 3 dias. Foi nesta altura que compreendi o quão doloroso poderia ser o tratamento. Os sentimentos durante todo o processo decorrido na UDN foram a confiança de quem está sempre pronto para a batalha, ainda que tenham havido adversidades. Também senti uma enorme raiva e revolta contra a doença, dentro de mim. Raiva devido ao facto de este “sacaninha” me ter roubado parte da melhor altura da minha vida, a minha adolescência e a impossibilidade de estar com os meus amigos nesta época. Após o final do internamento, veio a desejada alta, na qual voltaria para casa e voltaria a ver os meus amigos e colegas, bem como, todas as pessoas que me eram importantes. No entanto, não o poderia fazer sem estar constantemente protegido e em tratamento no Hospital de Dia.

O Hospital de Dia e os tratamentos em Ambulatório

Ainda que a fase de Ambulatório tenha sido muito má, não foi a pior. Nesta altura, sentia um enorme vazio por dentro e um permanente mal-estar devido ao tratamento. Havia pouca vontade de agir e cada pensamento, era mais demorado que todas as Eras pelas quais a espécie Humana passou. Tudo era vazio e o vazio preenchia-me. Todas as emoções eram confusas, por um lado sentia uma raiva característica e uma revolta, por outro lado, sentia-me impotente e incapaz de fazer o que quer que fosse para melhorar a minha situação.

A Fase de Intervalo e a redução das doses

Esta foi a melhor altura do tratamento, tudo decorria sem complicações e eu estava bem. Já não sentia o permanente mal-estar, nem mesmo instabilidade emocional. Foi uma época de calma e de estabilidade. Adoptei a visão mais optimista até então e acreditei que por momentos a etapa negra tinha acabado.

2º Fase de Ambulatório e intensificação

Esta foi uma época muito semelhante à do primeiro ambulatório, nessa altura encontrava-me numa fase avançada do tratamento e sabia que todas as reacções adversas voltariam. Inicialmente recomecei as aulas, o que foi algo vitalmente importante pois pude, durante algum tempo sentir-me realizado. No entanto, ao fim de algum tempo, comecei a sucumbir aos efeitos adversos e foi necessário não voltar a frequentar a escola até nova melhoria. A gastrite, as dores em todo o corpo, a infecção respiratória e a baixa de todos os valores hematológicos foram alguns dos problemas enfrentados. O mau estar permanente foi característico, sentia-me pouco ou nada realizado e a minha imagem representava os meus sentimentos. No hospital, vi e ouvi muitos doentes e a forma como reagiam na Sala de Tratamentos do Hospital de Dia, alguns deles em estado bem pior do que aquele em que me encontrava na altura. Compreendi que era apenas mais um em sofrimento como eles, no entanto, lutava contra a doença com todas as minhas forças.

O Internamento da Infecção Renal e o Início da Manutenção (última fase do tratamento)

O internamento no qual sofri por uma infecção renal foi a pior situação de todo o processo de tratamento vivido até agora. Nesta época, tudo correu mal e eu fui mais abaixo. Estava já habituado a lidar com o mal-estar de todo o processo de tratamento, mas este internamento ultrapassou, não só o meu mau estar, mas também me causou dores severas e cansaço. Não podia ter um sono reparador devido aos soluços constantes, não podia comer que logo a seguir vomitava, e sentia-me constantemente com dores em todo o lado. O tratamento para a infecção foi demorado e nesta altura tudo perdeu o sentido para mim. Foi uma época de enorme angústia e tristeza. Passei o Natal no Hospital com a minha família, os médicos, os enfermeiros e as auxiliares do serviço, aos quais agradeço o papel que desempenharam ao longo de todo o processo. O Ano Novo, apesar de ter sido uma época do internamento um pouco mais calma, continuava a ser em ambiente hospitalar e com enorme tristeza. Após a subida dos valores e o controlo da dor, saí para a alta e a 9 de Janeiro de 2008 completaria os meus 17 anos na última fase do tratamento. No dia 9 foi-me feita uma festa surpresa que nunca esquecerei, e na qual pude, de certa forma, comemorar o meu regresso ao activo. Ao fim de todo o sofrimento que caracterizou esta grande etapa da minha vida, sentia-me novamente feliz e realizado. Ao fim de 2 meses de manutenção, o cabelo recomeçou a nascer com um novo visual que rapidamente adoptei e gostei. Tudo avança de vento em popa, mas devemos ter em atenção que o tratamento ainda não acabou e que cada caso é um caso. Sugiro então a todos os doentes, que tenham Coragem, Esperança e Positivismo. Apenas através de uma perspectiva positiva poderão atingir um sucesso ainda maior, como eu actualmente vivo e com o pensamento sempre na frente da batalha contra o Linfoma!

Luís Fernando Barroso Sentieiro


Fui generosamente autorizada a divulgar aqui o Testemunho de um doente que sofre de Leucemia Aguda, mais especificamente de Linfoma, não é um doente qualquer – é o meu (nosso) Herói. Alguém que procurou, através da escrita, partilhar a sua experiência ao longo deste caminho que ainda prossegue repleto de incertezas, mas também de esperança e com muito sucesso até à presente data. Quer-se de forma singela, mas transbordante de convicção, apoiar todos os que partilham de algum modo do mesmo sofrimento e agradecer com este gesto as Pontes Entre Nós de Amizade e Solidariedade que se construíram e que permitem o encontro que nos Ilumina. Obrigada… por tudo, fundamentalmente por existirem na nossa vida e pelo que nela significam.

AMMedeiros

Sir Anthony Hopkins

•Agosto 2, 2007 • 5 Comentários

Dois grandes filmes. Um excelente actor. Duas grandes lições.

Um homem extraordinário…

 

 

Instinct

 

 

 

Hannibal

 

 

Anel de Luar

•Julho 19, 2007 • 3 Comentários

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Os sentimentos de um anel de luar quiseram perdurar indeléveis ou quiseram dissipar-se nalgum subterfúgio vão…?

 

O Teu Percurso

•Julho 8, 2007 • 4 Comentários

 Herói

Hoje vim aqui partilhar. E também falar-te de outra maneira. Escrever o que me atrevo apenas a dizer-te com as lágrimas contidas no olhar. Com as mãos quando te tocam quase sem te tocar para que sintas que estou ali e que te protejo sempre, meu Herói.
Ultrapassaste um internamento, uma infecção, as defesas na debilidade quase absoluta. Deixaste que um novo tubo entrasse numas das tuas veias. Deixaste comigo a teu lado, enquanto olhava no fundo do teus olhos profundos, enquanto perscrutavas nos meus a serenidade e a confiança que és tu que emanas sem te dar conta…
Aguentaste a crueldade de alguém. Há sempre um dito “profissional de saúde” disposto a agredir a dignidade de um qualquer doente, seja ou não um doente oncológico. Não importa. Tu é que és um menino de grande coragem e sabedoria.
Agora voltaste. Estás comigo. Vives cada momento. E vejo-te feliz sorver o tempo em actividades com os teus melhores amigos. Transbordas alegria em cada palavra. Enches a casa com a tua presença, o som da tua voz, as tuas expressões… Quase me parece uma miragem, que após 3 meses te possa sentir a viver alguns dias que têm o aroma dos dias em que a Leucemia não estava presente e nem suspeita dela pairava no espectro dos meus mais secretos medos.

Surpreendes-te quiçá, ou talvez não, que consiga presenciar todo o tipo de intervenções até mesmo as mais invasivas… Sabes, Herói? O que dói mais fundo é, por vezes, o que os meus olhos não vêem, mas sentem. O que dói mais fundo é a vida que te vejo precária, são os 16 anos que agora vives assim e, apesar de tudo com tanta determinação e uma vontade férrea de vencer e viver. Dói-me quando te observo e sob os teus olhos esteja aquela cor na pele tão escura, aquelas olheiras que não tinhas, que o teu rosto tenha uma lividez assustadora, que o teu corpo tenha mudado tanto e pressinta um sofrimento maior na integração da tua imagem, dói-me ver-te caminhar com aqueles passos descoordenados de velhinho que já tantos obstáculos viveu e caminhou… Dói-me quando te vejo ter dores e não suporto a tua dor e a minha, dói-me ver-te tremer de febre e não ser eu a suportar os teus tremores, dói-me quando baixas os estores da janela do quarto da vida e desligas a comunicação com todos porque estás débil…

Sabes, Herói? O que mais me dói é que possa existir um algo, seja o que fôr, esta entidade abstracta, que possa ser mais poderosa que a força de uma mãe. Mas existe. Não nos venceu, nem vai vencer, são os três anos de tratamento que me doem, sim doem muito, mas nós vamos ganhar. Tu vais ganhar mais vida, meu Herói.

O teu percurso pode ser difícil, mas tu és excepcional. Os Heróis vencem os maus, nunca se cansam. O teu percurso será sempre extraordinário e preenchido pelas cores da vida.

Adoro-te.

AMMedeiros

 

 

Ser Tua Mãe..

•Maio 6, 2007 • 2 Comentários



Amor. Paixão. Ternura.

Adoro-te meu Jovem Herói.

AMMedeiros

 

 

Da Tua Força Interior

•Abril 28, 2007 • 3 Comentários

“Téméraire”, William Turner


Meu Querido e Guerreiro Filho,

Escolhi uma pintura de Turner porque sei que adoras a sua luz e cores, talvez porque a inocência que transborda me lembre a inocência da tua tenra idade, violentamente atirada para a crueldade de uma ingrata luta contra este inimigo traidor, que agora tens de vencer.
Procuro um sentido, o sentido deste sofrimento atroz que agora vivemos. Sei que existe um sentido, sei que acabaremos por descobri-lo.
Foram já algumas as perdas, foram já muito dolorosas, mas isto não é uma perda, é uma luta a travar, acabarás por vencer, porque tens uma força interior incomensurável que te torna tão especial! Não, meu querido, não é baba de mãe, é mesmo assim, pudesses tu ver-te através de todos os olhos que te vêm e conhecem!…
Eu sei que não estás bem, que tens dores, que o teu corpo está mais debilitado, mas já te disse, e tu sabes, que a quimioterapia é a nossa aliada contra esse silêncioso linfoma, essa terrível doença que dá pelo nome de Linfoma Linfoblástico T.
Admiro-te tanto. Todos te admiram.
Essa sagacidade que te caracteriza e a filosofia com que percepcionas toda esta situação, dizes que Frankl também esteve assim diante da adversidade e que sobreviveu, dizes que neste “campo de concentração” tu serás como ele. Vês porque te admiro?! Eu fiquei perdida e tu abriste-me as mãos, devolveste-me o Existencialismo e fizeste-me voltar a compreender porque um dia escrevi sobre ele e sobre a Resiliência…
O caminho só agora começou. Diz o Dr. Príncipe da U.D.N. (Unidade de Doentes Neutropénicos do S. João) que passo a passo “vamos somando sucessos” e tu dizes que será batalha a batalha, dia após dia.
Às vezes, penso que tudo isto é um pesadelo, quero esconder-me desta verdade que pressenti desde o primeiro momento, mas olho-te nos olhos e vejo tanta energia e determinação.
Sempre te disse que eras um Herói. És um Herói.
Eu vou estar aqui junto de ti, de mãos dadas com os médicos, os enfermeiros, os auxiliares, os teus amigos, os teus professores que tanto te admiram e a tua família que te adora, todos estamos aqui no teu presente para preparar o teu futuro.

Um beijo infinito

AMMedeiros





Em última análise, torna-se claro que o tipo de pessoa em que o prisioneiro se transformava era o resultado de uma decisão interior, e não o resultado só das influências do campo de concentração. Portanto, fundamentalmente, qualquer ser humano, mesmo sob tais circunstâncias, pode decidir o que vai ser dele – mentalmente e espiritualmente.

Viktor Frankl

PS: O meu sorriso e um abraço profundo para a Escola secundária Filipa de Vilhena, para os fantásticos Professores do 10º C e para os que já foram noutros anos Professores do Luís, para todos os funcionários que o viram crescer nestes últimos anos e que contribuíram de muitas formas para a sua educação e conhecimento.

Para o 10º C, uma turma excepcional!

Para todos Amigos que nestas horas têm sido incansáveis.

Para todos os elementos que constituem a Unidade de Doentes Neutropénicos do Hospital S. João, um oásis humano no trato com todos os doentes e familiares e na promoção da qualidade de vida dos seus doentes em todos os sentidos.

Para o Pedro Abrunhosa, pela sua inesgotável sensibilidade e pela referência que constitui para o Luís como Amigo e exemplo de humanidade.


 

O que me apetece?…

•Abril 1, 2007 • 2 Comentários

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É MESMO ISTO QUE ME APETECE!

TEATRO, DO MELHOR!

 

Link: Companhia Teatral do Chiado 

 

 

 

Dia Internacional da Mulher

•Março 8, 2007 • 9 Comentários

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 RECONHECIMENTO DO AMOR

Amiga, como são desnorteantes
Os caminhos da amizade.
Apareceste para ser o ombro suave
Onde se reclina a inquietação do forte
(Ou que forte se pensa ingenuamente).
Trazias nos olhos pensativos
A bruma da renúncia:
Não queiras a vida plena,
Tinhas o prévio desencanto das uniões para toda a vida,
Não pedias nada,
Não reclamavas teu quinhão de luz.
E deslizavas em ritmo gratuito de ciranda.

Descansei em ti meu feixe de desencontros
E de encontros funestos.
Queria talvez – sem o perceber, juro -
Sadicamente massacrar-se
Sob o ferro de culpas e vacilações e angústias que doíam
Desde a hora do nascimento,
Senão desde o instante da concepção em certo mês perdido
na História,
Ou mais longe, desde aquele momento intemporal
Em que os seres são apenas hipóteses não formuladas
No caos universal

Como nos enganamos fugindo ao amor!
Como o desconhecemos, talvez com receio de enfrentar
Sua espada coruscante, seu formidável
Poder de penetrar o sangue e nele imprimir
Uma orquídea de fogo e lágrimas.

Entretanto, ele chegou de manso e me envolveu
Em doçura e celestes amavios.
Não queimava, não siderava; sorria.
Mal entendi, tonto que fui, esse sorriso.
Feri-me pelas próprias mãos, não pelo amor
Que trazias para mim e que teus dedos confirmavam
Ao se juntarem aos meus, na infantil procura do Outro,
O Outro que eu me supunha, o Outro que te imaginava,
Quando – por esperteza do amor – senti que éramos um só.

Amiga, amada, amada amiga, assim o amor
Dissolve o mesquinho desejo de existir em face do mundo
Com o olhar pervagante e larga ciência das coisas.
Já não defrontamos o mundo: nele nos diluímos,
E a pura essência em que nos transmutamos dispensa
Alegorias, circunstâncias, referências temporais,
Imaginações oníricas,
O vôo do Pássaro Azul, a aurora boreal,
As chaves de ouro dos sonetos e dos castelos medievos,
Todas as imposturas da razão e da experiência,
Para existir em si e por si,
À revelia de corpos amantes,
Pois já nem somos nós, somos o número perfeito: UM.

Levou tempo, eu sei, para que o Eu renunciasse
à vacuidade de persistir, fixo e solar,
E se confessasse jubilosamente vencido,
Até respirar o júbilo maior da integração.
Agora, amada minha para sempre,
Nem olhar temos de ver nem ouvidos de captar
A melodia, a paisagem, a transparência da vida,
Perdidos que estamos na concha ultramarina de amar.

 

Carlos Drummond de Andrade

 

 

AMMedeiros

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