O Retrato de Dorian Gray
“Todo o excesso, assim como toda a renúncia, transporta consigo a sua própria punição.”
(Óscar Wilde)
Na sequência da alusão a DORIAN GRAY realizada por James Blunt em “Tears and Rain (ver post anterior), retira-se da estante o emblemático livro de Óscar Wilde: “O Retrato de Dorian Gray”, um livro interessante, na época considerado subversivo e controverso, onde Wilde questiona, numa narrativa acutilante, a existência nos seus paradoxais valores morais, no mito da eterna juventude, na estética e nos seus conflitos e desejos.
Dorian Gray aproxima-se do mito de narciso ou, do mito faustiano onde, em prol dos prazeres mundanos se abdica da alma. Dorian, um jovem, belo e aristocrata inglês no contexto da época vitoriana, aceita posar para o pintor Basil Hallward. O retrato de Dorian Gray é sublime, e este contempla a sua imagem com o profundo desejo de que esta assim se perpetue não na tela, mas no seu rosto. O sonho seria que a velhice se manifestasse apenas e só no retrato…
Aqui se inicia o percurso de decadência e devassidão de Dorian Gray, quando vende a alma pela juventude eterna e seus prazeres, paradoxalmente, o retrato revela cruamente a sua leviandade interior.
Óscar Wilde convida à reflexão sobre os padrões de beleza em cada sociedade, em cada época, envelhecimento versus juventude, a procura de novas e prazerosas sensações a qualquer preço, o crime e a punição…
“(…) Dorian não respondeu. Passou distraidamente diante do quadro e virou-se de frente para ele. Quando o viu, recuou e, por momentos, o rosto ruborizou-se-lhe de satisfação. Assomou-lhe aos olhos uma expressão de júbilo, como se se tivesse
reconhecido pela primeira vez. Continuava imóvel e maravilhado, apercebendo-se vagamente de que Hallward estava a falar com ele, mas sem apreender o significado das palavras. A sensação da sua própria beleza surgiu-lhe como uma revelação. Nunca a sentira antes. Os elogios de Hallward pareceram-lhe sempre amáveis exageros provenientes da amizade que os unia.
Escutara-os, rira-se deles e, depois, esquecera-os. Nunca haviam exercido nele qualquer influência. Depois, aparecera Lord Henry Wotton com o seu estranho discurso panegírico sobre a juventude e o prenúncio terrível da sua brevidade. Isso perturbara-o então, e agora, ao encarar o reflexo da sua beleza, toda a realidade da descrição acudiu-lhe subitamente ao espírito. De facto, havia de chegar o dia em que o rosto
ficaria enrugado e mirrado, os olhos baços e sem cor, e a graciosidade das suas formas destruída e deformada. O vermelho vivo dos lábios desapareceria, e também o tom dourado do cabelo. A vida que teve, que Lhe criar a alma havia de
desfigurar-Lhe o corpo. Iria tornar-se horrendo, hediondo e grosseiro.
Ao pensar nisso, uma dolorosa angústia, acutilante como uma faca, fez vibrar cada fibra delicada do seu ser. O azul dos olhos passou a cor de ametista, e cobria-o uma névoa de lágrimas. Tinha a sensação de que uma mão de gelo lhe pousara
no coração. (…)”
Óscar Wilde (1891) in “O Retrato de Dorian Gray”










Excelente o trabalho que a introspecção permite fazer quando nos retratamos.
Os caminhos da vida mudam a cada passo, em cada cruzamento, consoante o sentido e o rumo que decidimos tomar. Dorian manteve o seu, intocável e incólume, renegou todo o sentido que não o seu, cilindrou com o seu narcisismo os que o poderiam ter acompanhado, por uma via, mais longa, penosa, porém, para um outro fim.
Chegámos aqui.
Iremos para onde quisermos, levando connosco o que somos e o que quisermos ser.
Siderado pelo seu talento
Um beijo
amei o livro
..antes demais parabens pelo texto! um optimo ponto de vista!..
estou neste momento a ler o livro, estou a gostar imenso, é um livro diferente dos que estou habituada a ler!..ainda nao acabei, mas confesso que estou curiosa pelo final!! :)
dcp a invasao..mas encontrei o texto e cm estou a ler o livro neste momento decidi comentar! :)
fica bem
Meu nome é Rozemberg Witz. Temos em Miami um grupo brasileiro ( profissional ) de teatro e estamos em busca da versão teatral do texto “Retrato de Dorian Grey” de Oscar Wilde, para uma futura montagem aqui. Caso voce saiba como podemos proceder para conseguirmos, já muito lhe seremos gratos.
No aguardo de sua resposta.
Rozemberg Witz
Eu li o livro e achei fantástico,é uma aula de psicologia,porque no vemos e podemos nos analizar a todo instante,e ja nao é apenas o retrato de dorian gray,é o nosso retrato,onde nos enchergamos e não podemos mais ser meros narcisos.
O RETRATO DE DORIAN GRAY É UMA OBRA FANTASTICA ,O NARCISISMO NESTE PERSONAGEM É EXTREMO QUE TAMBÉM TEM O SEU LADO PERVERSO,PODE SE CHAMAR DE NARCISISMO MALIGNO ,PORQUE PARA MANTER TODA AQUELA EXPLENDIDA APARÊNCIA ELE ERA CAPAZ DE TUDO ATÉ MESMO DE MATAR O SEU PRÓPRIO AMIGO BASIL.
LI O LIVRO E FIQUEI ENCANDADO COMO OSCAR WILDE TRABALHA A CONCEPÇÃO DE BELEZA E SUA INFLUENCIA NA VIDA DE UM SER HUMANO.
Já perdi a conta das vezes que li e reli “O Retrato de Dorian Gray”, a obra-prima de Oscar Wilde. Admiro a linguagem requintada de Wilde, demonstrando que ele foi um grande esteta e tinha uma cultura extraordinária. É um livro singular, gerado por uma mente singular. Mais que um grande escritor, Wilde foi um grande dramaturgo e poeta, um grande artista na acepção da palavra. É um estudo muito aprofundado do narcisismo, da juventude e da beleza, que infelizmente dura tão pouco tempo, como constata Wilde nas páginas deste seu único romance. Como vivemos numa sociedade narcisística ao extremo, que privilegia a busca da eterna juventude acima de todo e qualquer outro valor, o livro permanece mais atual do que nunca. Toda beleza é trágica. E com certeza não dura para sempre. A verdadeira beleza, é o que parece constatar Wilde nesta sua história, é a que vem de dentro e se projeta para fora. Mas quem liga para isto ? Especialmente nos nossos dias ? Como já era na época dele, em plena sociedade vitoriana, repleta de falsos moralismos e hipocrisia extremada. Um dos livros mais geniais da Literatura Inglesa e universal. Wilde nos deixou uma obra imortal de rara beleza. E eu adoro as tiradas irônicas dele. Dizem que tinha uma prosa fascinante também.
Não me lembro há quanto tempo li Dorian Gray pela primeira vez; o fato é que o reli três vezes e a cada releitura surpreendo-me com a sagacidade do autor ao apresentar as distorções de caráter de seu personagem e ao criticar o exagerado valor que se dá à beleza.
OS caras da época, eram todos homosexuais
Sem brincadeiira aquele basil mesmo, super afim do Dorian
Se vcs nao sabem o propio autor era homosexual, por tanto
acredito que ele quiz fazer uma obra desfarçada de um romance homosexual, nada contra, mas que todos tem que concordar
que os homens da época, cortavam dos dois lado, cortarvam..rrs
Meu nome é Marina Maia, tenho 14 anos de idade e lí esse livro.
Simplesmente me encantei com a história!
Uma mistura de romance com drama…Uma coisa muito legal.
Acho que nunca tinha gostado tanto de um livro como esse!
o blog tá me ajudando bastante em montar meu tcc sobre o assunto…. Thanks for all coments.
O livro o retrato de dorian gray é uma obra fascinante li quase todo o livro e a cada pagina novas descobertas,novas sensaçoes, o livro é simplismente fantastico. Parabens a OSCAR WILDE pelo exelente trabalho.
No inicio esse livro é ruim, mas depois ele é um pouco bom, não gostei muito dele…
Mas parabens pra você que fez esse blog, pois soube interpretar um livro tão complcado…
PARABÉNS!!!
muito bom o livro, levanta uma polêmica que chama bastante atenção!
tráz a nós leitores reflexoes feitas por Lord Henry que são realmente bem feitas.
Dorian Gray é o cara !