“O Homem e a(s) Mentira(s)”
Decorreu nos dias 17 e 18, ou seja, ao longo de sexta e sábado do passado fim-de-semana o colóquio subordinado ao tema “O Homem e a(s) Mentira(s)” organizado pela Sociedade Portuguesa de Psicanálise.
Várias e interessantes foram as reflexões apresentadas pelos palestrantes. Salientaria fundamentalmente, sem qualquer demérito para as restantes, a posição do Dr. Jaime Milheiro, que foi o presidente honorário do colóquio, e que fez um alerta para os sinuosos perigos do casamento da mentira com a destruição:
“(…) Há quem prefira chamar-lhe inverdade, versatilidade de opinião, informação insuficiente, imprecisão de pensamento ou outras delicadezas parecidas”, enfatizando que, “(…) a verdade, porém, é que nunca se mentiu tanto como agora, (…) seja para prejudicar outrem, enaltecer o ego ou omitir uma verdade inconveniente ou dolorosa, a mentira é aprendida na infância e faz parte do processo de crescimento. Pode até ser ” remédio para inúmeras complicações, dores e sofrimentos”, mas mais grave ainda, “está de tal forma vulgarizada que se chegou ao paradoxo que quem fala a verdade, nada consegue, enquanto o engano parece funcionar em todos os lugares – por vezes, sob o eufemismo de diplomacia – desde que servido numa baixela atractiva”!
Todavia o Dr. Jaime Milheiro foi mais longe e afirmou:
“(…) a par do crescimento da mentira, assiste-se ao aumento da destruição, enquanto se fala cada vez mais de ética. Mentira e destruição têm o “estatuto de conjugalidade” e, juntas, tomaram conta da sociedade”
A corroborar esta veemente comunicação, acresce a do Prof. Rui Coelho, professor da Faculdade de Medicina do Porto, que referiu:
“a mentira nunca é legítima e não faz sentido falar de “mentira saudável” porque mentir prejudica a saúde mental de quem a pratica e está sempre associada à “desvalorização da capacidade de pensar do outro”.
No âmbito da personalidade dever-se-á ter presente que: “a mentira serve também para iludir um défice de narcisismo, ou seja, para esconder uma fragilidade do Eu, quando é sádica, a falsidade destrói relações e pode transformar-se em patologia.”
Sem mentiras, um colóquio deveras interessante. Menos verosímil ainda pensar-se sobre o exposto, quiçá pensar-se porque mentimos… um excelente exercício de introspecção.










[...] homem e a(s) mentira(s) Decorreu no final do ano de 2006, na cidade do Porto, em Portugal, “o colóquio subordinado [...]
O homem e a(s) mentira(s) « Elemento Língua said this on Agosto 11, 2008 às 11:51 pm
[...] Decorreu no final do ano de 2006, na cidade do Porto, em Portugal, “o colóquio subordinado ao tema ‘O Homem e a(s) Mentira(s)’ organizado pela Sociedade Portuguesa de Psicanálise.Várias e interessantes foram as reflexões apresentadas pelos palestrantes. Salientaria fundamentalmente, sem qualquer demérito para as restantes, a posição do Dr. Jaime Milheiro, que foi o presidente honorário do colóquio, e que fez um alerta para os sinuosos perigos do casamento da mentira com a destruição: [...]
O homem e a(s) mentira(s) « Elemento Língua said this on Agosto 11, 2008 às 11:56 pm
Eis aqui algo digno de leitura e reflexão!